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Higiene e Prevenção

A lavagem cirúrgica das mãos: protocolos para profissionais de saúde

A lavagem cirúrgica das mãos: protocolos para profissionais de saúde

A lavagem cirúrgica das mãos é uma das medidas mais eficazes para prevenir infeções na clínica dentária.¹,²

Neste artigo, dirigido a profissionais de saúde, ficará a saber quando deve ser realizada, que sabão antisséptico escolher e como aplicá-lo corretamente. 

De facto, a pandemia da COVID-19 conduziu a uma revisão dos protocolos de desinfeção e, como consequência, aumentou a consciencialização para a importância de uma correta higiene das mãos.³ 

Lavar as mãos frequentemente com água e sabão durante, pelo menos 20 segundos é fundamental, sobretudo, após utilizar a casa de banho, antes das refeições e depois de espirrar, tossir ou assoar o nariz.⁴ 

Se já é importante em contexto social, em ambiente clínico torna-se absolutamente essencial.² 

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Quando é os profissionais de saúde devem lavar as mãos na clínica dentária?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mãos devem ser lavadas sempre nas seguintes situações:⁵ 

  • Antes de tocar no paciente 
  • Antes de realizar um procedimento assético 
  • Após tocar no paciente ou no ambiente envolvente 
  • Após risco de exposição a líquidos biológicos 

É fundamental seguir corretamente o protocolo de lavagem das mãos, também conhecido como “técnica dos 6 passos”, recomendada pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).² 

 Lavagem das mãos – técnica dos 6 passos

O processo termina com a secagem das mãos, que deverá ser feita preferencialmente com toalhas de papel descartáveis, pois as toalhas têxteis podem reter microrganismos que se multiplicam em ambientes húmidos.² 

E poderá questionar-se: o uso de luvas substitue a necessidade de higiene das mãos? 

A resposta é claramente não. O uso de luvas nunca substituea lavagem cirúrgica das mãos.²,³ As luvas devem ser trocadas entre pacientes e, sempre que retiradas, é imprescindível proceder a uma nova higiene das mãos.²

Um sabão comum é suficiente antes de uma cirurgia? 

Para prevenir infeções, a higiene das mãos deve ser realizada corretamente²,⁶, utilizando a técnica e o produto adequados a cada situação. 

A higiene das mãos com água e sabão não antisséptico é indicada quando as mãos estão visivelmente sujas ou após contacto com sangue ou outros fluidos corporais². 

Nestes casos, o uso exclusivo de soluções hidroalcoólicas não é suficiente, uma vez que a presença de matéria orgânica reduz a eficácia do álcool.², ⁷ 

Os procedimentos cirúrgicos para a cavidade oral exigem uma correta lavagem e desinfeção cirúrgica das mãos e antebraços da equipa envolvida. 

Esta é uma das estratégias mais antigas e eficazes para reduzir infeções em qualquer ambiente cirúrgico e deve ser realizada com um sabão antisséptico.¹, ² 

Importa reforçar que o uso de luvas não substitui a lavagem das mãos. Existem estudos que demonstram que, após cerca de 2 horas de cirurgia, 35% das luvas apresentam microperfurações, permitindo a passagem de fluidos para a pele.¹, ² 

Por este motivo, a lavagem cirúrgica das mãos é uma barreira crítica, mesmo quando são utilizadas luvas. 

A preparação pré-cirúrgica das mãos reduz a carga microbiana durante todo o procedimento, minimizando o risco de contaminação em caso de rutura da luva cirúrgica.² 

Ao contrário da higiene social ou lavagem higiénica das mãos e da desinfeção com solução hidroalcoólica, a lavagem cirúrgica das mãos elimina a flora transitória e reduz a flora residente, impedindo o crescimento bacteriano no interior das luvas.², ⁷ 

 O que é um sabão antisséptico? 

Tecnicamente, um sabão antisséptico é um produto que contém um agente antisséptico numa concentração suficiente para inativar microrganismos e suprimir temporariamente o seu crescimento.⁷ 

Os agentes antissépticos mais utilizados são a clorexidina e a povidona iodada.²,⁷

Vantagens da clorexidina 

Tanto a clorexidina como a povidona iodada apresentam uma ampla atividade antimicrobiana. No entanto, a clorexidina caracteriza-se por um efeito residual mais prolongado na pele, enquanto a povidona iodada apresenta uma ação rápida, mas com menor persistência.⁷ 

Para além de atuar, a clorexidina mantém-se ativa durante mais tempo do que a povidona iodada, prolongando a proteção cutânea e reforçando a segurança do procedimento.⁷ 

A lavagem cirúrgica das mãos resseca a pele? 

A irritação cutânea e a dermatite são efeitos secundários frequentes da utilização dos sabões antissépticos.⁶, ⁷

O profissional de saúde pode necessitar de realizar a lavagem higiénica  das mãos até 30 vezes por turno⁶, uma percentagem significativa refere sintomas de dermatite associados à lavagem frequente das mãos.⁶

Para além das características organolépticas do produto (odor, consistência e cor), a tolerância cutânea é um dos fatores que mais influencia a adesão aos protocolos de higiene das mãos.⁶,⁷

Assim, é importante escolher um sabão antisséptico que contenha emolientes, como a provitamina B5, que hidrata, protege e cuida da pele.⁸ 

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Como utilizar corretamente um sabão antisséptico antes de uma cirurgia?

Para uma correta lavagem cirúrgica das mãos, deve-se começar por molhar todas as superfícies das mãos e antebraços com água corrente e, de seguida, aplicar o protocolo recomendado.² 

  Lavagem higiénica e lavagem cirúrgica das mãos

Deve ser utilizada água morna, uma vez que a água demasiado quente remove os ácidos gordos naturais da pele, comprometendo a barreira cutânea.⁶ 

A maioria dos protocolos recomenda retirar as joias ou relógios durante procedimentos cirúrgicos. 

Recomenda-se igualmente que o pessoal cirúrgico não utilize unhas artificiais nem verniz, pois dificultam uma higiene eficaz das mãos.² 

Relativamente ao tempo necessário, não existe consenso absoluto. No entanto, para  sabãoà base de clorexidina a 4%, a duração recomendada situa-se entre 3 e 6 minutos.²,⁸

É preferível utilizar esponjas ou escovas descartáveis, que demonstraram maior eficácia na redução bacteriana.² 

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Referências bibliográficas:

  1. Lozano V. Control de las Infecciones Cruzadas. Ediciones Avances. Madrid; 2000.  
  2. CDC. Guideline for Hand Hygiene in Health-Care Settings. MMWR. 2002;51(RR16):1–44.  
  3. Organización Mundial de la Salud (OMS). Campañas e iniciativas sobre higiene de manos.  
  4. CDC. Lavado de manos: hojas informativas para la población general.  
  5. OMS. “5 momentos para la higiene de manos”.  
  6. Toribio R. Higiene de manos en los centros sanitarios. Servicio Extremeño de Salud.  
  7. Kampf G. Antiseptic Stewardship - Biocide Resistance and Clinical Implications. Springer; 2018.  
  8. Ficha técnica Inibsa Scrub antiséptico para pele sã