Logo

A informação contida nesta área destina-se exclusivamente a profissionais de saúde com capacidade para prescrever ou dispensar medicamentos, sendo necessária formação especializada para a sua correta interpretação.

Cirurgia Oral e Periodontologia

Elevação do seio maxilar: técnicas avançadas e evidência clínica

Elevação do seio maxilar: técnicas avançadas e evidência clínica

O levantamento do seio maxilar tornou-se uma técnica indispensável na implantologia quando a altura óssea no maxilar superior é insuficiente para a colocação de implantes dentários [1]. Este procedimento, baseado em décadas de desenvolvimento cirúrgico e evidência científica, garante resultados previsíveis e a longo prazo.  

Neste artigo, exploramos as técnicas disponíveis, as suas indicações clínicas e os avanços nos biomateriais que potenciam o sucesso do tratamento.  

O que é a elevação do seio maxilar e porque é que é necessária?  

A perda de molares e pré-molares na maxila, combinada com a reabsorção óssea e a pneumatização do seio, pode resultar numa altura óssea residual insuficiente (<10 mm) [2]. Isto impede a colocação segura de implantes dentários, que são essenciais para restaurações funcionais e estéticas.  

O levantamento do seio maxilar tem como objetivo aumentar o volume ósseo através do acesso controlado e da manipulação do seio maxilar, proporcionando uma base adequada para a colocação de implantes dentários. [3]

Indicações em função da altura do osso residual  

A escolha da técnica cirúrgica depende da quantidade de osso disponível:

Altura óssea residual

Técnica recomendada

Características chave

>10 mm (Classe A)

Técnica habitual de colocação do implante 

Procedimento standard sem necessidade de aumento ósseo. 

7–9 mm (Classe B)

Técnica com osteótomo

Permite a colocação imediata do implante. 

4–6 mm (Classe C)

Antrostomia lateral

Uso de substitutos ósseos e colocação imediata ou diferida do implante.

1–3 mm

(Classe D)

Antrostomia lateral

Implantes diferidos e substitutos ósseos obrigatórios. 

Nota: Não se recomenda a colocação de um implante imediato quando a altura óssea residual é <4 mm, ou a qualidade do osso é deficiente. [4] 

Tabela 1: técnica recomendada segundo a altura óssea residual, Sinus Conference Consensus 1996. [5] 

Técnicas cirúrgicas e biomateriais recomendados  

1. Elevação do seio maxilar com abordagem lateral

Elevação do seio maxilar Indicada para alturas ósseas de 1-6 mm, esta técnica permite o acesso ao seio através de uma janela lateral (antrostomia lateral). [6]

  • Procedimento: A membrana de Schneider é cuidadosamente elevada, criando um espaço que é preenchido com substitutos ósseos como o Geistlich Bio-Oss®. [7]
  • Benefícios: Elevada fiabilidade em casos de reabsorção óssea grave.
  • Evidência: A utilização de membranas de colagénio, como a Geistlich Bio-Gide®, melhora a taxa de sobrevivência dos implantes em 9,3%. [8]

2. Elevação do seio crestal  

Elevação do seio maxilar

Adequada para casos com alturas ósseas de 7-9 mm, esta técnica transcrestal é menos invasiva. [9]  

  • Procedimento: O seio é acedido a partir do rebordo alveolar utilizando osteótomos, levantando a membrana de Schneider e colocando um enxerto ósseo.  
  • Vantagens: Procedimento conservador que permite a colocação imediata de implantes em muitos casos.  
  • Limitações: Reparação mais difícil em caso de perfuração da membrana.

3. Elevação do seio maxilar com regeneração óssea guiada

Elevação do seio maxilar Indicada para defeitos verticais e horizontais combinados, esta técnica complementa a elevação do seio maxilar com regeneração óssea guiada para restaurar o volume ósseo tridimensional. [10]

  • Procedimento: Os enxertos ósseos são combinados com membranas de barreira, como a Geistlich Bio-Gide®, para regenerar as deficiências ósseas enquanto se prepara a área para futuros implantes.
  • Benefícios: Tratamento abrangente para casos complexos.

4. Preservação do rebordo alveolar

Elevação do seio maxilar Quando possível, a preservação do rebordo após a extração dentária reduz a necessidade de procedimentos invasivos. [11]

  • Procedimento: Um enxerto ósseo, como o Geistlich Bio-Oss®, é utilizado para manter o volume ósseo após a extração.
  • Resultados: Preserva mais de 90% do volume ósseo, reduzindo a necessidade de uma elevação do seio posterior.

Importância dos biomateriais no sucesso da elevação do seio maxilar

Os biomateriais são essenciais para garantir resultados previsíveis:  

  • Geistlich Bio-Oss®: Apoia a formação de novo osso e mantém o volume ósseo a longo prazo devido à sua lenta reabsorção. [12]  
  • Geistlich Bio-Gide®: Protege o enxerto, facilita a cicatrização e reduz as complicações, especialmente em casos de perfuração da membrana de Schneider. [13]  

Estudos clínicos demonstraram taxas de sucesso de implantes de 98,6% quando estes biomateriais são utilizados em combinação. [14]   

Avanços no diagnóstico e planeamento  

A precisão do diagnóstico é fundamental para o sucesso. A tomografia computorizada (CBCT) permite a avaliação da qualidade e altura do osso residual, bem como a deteção de possíveis complicações anatómicas, como pseudoquistos antrais. [15]  

Além disso, o planeamento digital facilita a seleção da técnica adequada e a utilização de biomateriais específicos de acordo com as necessidades do doente. 

Alternativas à elevação do seio maxilar  

Embora o levantamento de seio seja o padrão para casos de perda óssea significativa, existem alternativas:  

  • Implantes curtos (<10 mm): adequados para pacientes com contraindicações cirúrgicas, embora tenham limitações em termos de estética e estabilidade a longo prazo. [16]
  • Preservação do rebordo alveolar: técnica minimamente invasiva que pode reduzir a necessidade de elevação do seio maxilar, preservando >90% do volume ósseo após a extração dentária. [11] 

Casos clínicos e acompanhamento  

Os estudos clínicos demonstraram a eficácia destas técnicas:  

  • Abordagem lateral com Geistlich Bio-Oss® e Bio-Gide®: Casos com altura óssea residual de 1-2 mm alcançaram estabilidade óssea durante mais de 10 anos. [17]  
  • Elevação crestal: Resultados previsíveis em casos com cristas largas e altura residual ≥7 mm. [9]  

Conclusão  

A elevação do seio maxilar é uma técnica essencial para reabilitações suportadas por implantes no maxilar. A seleção da técnica correta, a utilização de biomateriais de qualidade e um planeamento preciso garantem resultados bem sucedidos e funcionais a longo prazo. 

Referências: 

  1. Jensen OT, et al. International J Oral Maxillofac Impl 1998; 13 Suppl: 11-45. (Estudio clínico).
  2. Lee J-E, et al. World Journal of Clinical Cases 2014; 2(11):683-688. (Estudio clínico).
  3. Boyne PJ, et al. Journal of Oral Surgery 1980; 38(8):613-616. (Estudio clínico).
  4. Jensen OT, et al. International J Oral Maxillofac Impl 1998; 13 Suppl: 11-45. (Estudio clínico).
  5. Tabla adaptada de Jensen OT, et al. 1998.
  6. Tatum H Jr. Dental Clinics of North America 1986; 30(2):207-229. (Estudio clínico).
  7. Aghaloo TL, Moy PK. Int J Oral Maxillofac Implants 2007; 22 Suppl: 49-70. (Estudio clínico).
  8. Alayan J, Ivanovski S. Clin Oral Implants Res. 2018 Feb;29(2):248-262. (Estudio clínico).
  9. Summers RB. Compendium 1994; 15(2):152, 154-156. (Estudio clínico).
  10. Schwartz-Arad D, et al. J Periodontol. 2004;75(4):511-6. (Estudio clínico).
  11. Rasperini G, et al. Int J Periodontics Restorative Dent 2010; 30(3):265-73. (Estudio clínico).
  12. Traini T, et al. J Periodontol 2007; 78(5):955-61. (Estudio clínico).
  13. Pjetursson BE, et al. J Clin Periodontol 2008; 35 (Suppl. 8): 216-40. (Revisión sistemática).
  14. Wallace SS, et al. Int J Periodontics Restorative Dent 2005; 25(6):551-559. (Estudio clínico).
  15. Kwon YD, et al. Caso clínico del documento proporcionado.
  16. Jain N, et al. J Clin Diagn Res 2016; 10(9):Ze14-Ze17. (Estudio clínico).
  17. Sartori S, et al. Clin Oral Implants Res 2003; 14(3):369-372. (Estudio clínico).